COLÉGIO AUXILIADORA
A nossa cidade, que neste ano completará 154 anos desde a sua fundação em 1872, abriga em sua história uma plêiade de entidades centenárias que, ao longo do tempo, contribuíram e seguem colaborando para o seu progresso e evolução.
A voo de pássaro, mencionaremos algumas:
A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, criada em 1914 – infelizmente desativada –; a Santa Casa de Campo Grande, idealizada em 1917; a Loja Maçônica Oriente Maracaju, fundada em 1921; a Escola Estadual Joaquim Murtinho, a primeira escola centenária da capital, criada em 1922; o Asilo São João Bosco, uma casa de acolhimento a idosos, a mais antiga de Campo Grande, que começou suas atividades em outubro de 1923; o Hospital Geral do Exército, inaugurado em 1924 e destinado a atender os militares e suas famílias; o Rádio Clube, fundado em dezembro de 1924; a Feira Central de Campo Grande, criada em 1925 por meio de um decreto do intendente municipal Arnaldo Estêvão de Figueiredo; e, por fim, a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, fundada em março de 1926.
A esse podium de entidades representativas e humanitárias vem se somar o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, colocando Campo Grande mais uma vez em festa.
Para a criação do Colégio foi fundamental o idealismo e a dedicação de muitas mulheres que, sentindo a necessidade de dotar nossa cidade de um estabelecimento escolar lastreado e orientado pela religião católica, tomaram a decisão de unir esforços e recursos com aquela finalidade. Considero essa escola como parte da minha história particular, porque minha mulher, Rosaria, foi interna do Colégio na adolescência e nossas seis filhas ali estudaram – e por isso, durante dezesseis anos seguidos compareci diariamente ao portão de entrada, de manhã e à tarde, exercendo o meu ofício de motorista delas.
Nos idos dos anos 20, no século passado, algumas senhoras lideradas por Dorinha Figueiredo (esposa do então prefeito Arnaldo Estêvão de Figueiredo), Beatriz Chaves (esposa do juiz de direito Laurentino Chaves), Blanche dos Santos Pereira (esposa de Eduardo Santos Pereira, um dos fundadores da Santa Casa), Thomázia Rondon (pioneira na ocupação do Pantanal, e reconhecida como figura enigmática e histórica na região, que se tornaria a primeira mulher vice-presidente da Santa Casa), e Antônia Correa da Costa (Conhecida como Dona Neta, outra figura de destaque em nossa cidade), que cedeu um imóvel de sua propriedade na rua 26 de Agosto, para sediar aquela que seria a primeira sede do nascente Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.
E foi assim que teve início o Auxiliadora.
É imperativo destacar a participação do padre João Crippa, que desde o início se empenhou efetivamente na realização desse sonho idealizado por aquelas mulheres.
O prédio do Colégio, construído em estilo Art Déco na primeira metade do século passado, compõe parte do conjunto arquitetônico de Campo Grande. O projeto é do engenheiro Joaquim Teodoro de Faria, em parceria com o arquiteto Frederico João Urlass.
Particularmente, me sinto no dever, por um sentimento de gratidão, de destacar a participação das Irmãs Salesianas no funcionamento da nossa Santa Casa, desde o início do hospital e durante 50 anos seguidos. Elas se transformaram na pedra angular da instituição.
Parte das informações aqui reproduzidas foi colhida na página institucional do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, editada pela associada Marília Leite, com base no livro “Auxiliadora Setenta Anos”, de autoria da antropóloga e professora Yara Penteado, publicada no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul.
A página do Instituto, inicialmente editada pelo professor Eron Brum, está há mais de uma década, sendo publicada quinzenalmente pelo O Estado de Mato Grosso do Sul.
O IHG-MS tem contribuído de forma decisiva e permanente na divulgação e registro da nossa história.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.
