Doação de Sangue Novas Regras

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Novas regras para doação de sangue entram em vigor nesta quarta-feira; confira

Mudanças permitem que doadores regulares continuem após os 70 anos e reduzem o período de espera para procedimentos como tatuagem, piercing e endoscopi

Juliana Oliveira

30 de setembro de 2026 – 19h08

Ampliar imagemDoação de sangue – Foto: Divulgação

As novas regras para doação de sangue no Brasil entram em vigor nesta quarta-feira (30), com mudanças nos critérios para os doadores e nos procedimentos de segurança das bolsas coletadas. Entre as principais alterações estão a possibilidade de doadores regulares continuarem doando após os 70 anos e a redução do tempo de espera depois de procedimentos como tatuagem, maquiagem definitiva, piercing e endoscopia.

As mudanças foram estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, do Ministério da Saúde. O novo regulamento também modifica os exames realizados no sangue doado, o sistema de identificação das bolsas e o período de armazenamento das plaquetas.

Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar um documento oficial com foto, inclusive em formato digital. Adolescentes a partir dos 16 anos também podem doar, desde que tenham autorização do responsável legal.

Antes da coleta, o candidato passa por uma triagem realizada por profissionais de saúde. Nessa etapa, são avaliadas as condições do doador e possíveis fatores que possam exigir um período de espera, como doenças, uso de determinados medicamentos, viagens e procedimentos recentes.

Veja o que muda para os doadores.

Idade máxima

Até então, a doação era permitida até os 69 anos. Pessoas entre 60 e 69 anos só podiam doar caso a primeira doação tivesse ocorrido antes dos 60.

Com a nova regra, quem já é doador regular poderá continuar doando depois dos 70 anos. Para isso, será necessário estar saudável, ser aprovado na avaliação realizada antes da coleta e respeitar os intervalos estabelecidos para essa faixa etária.

Tatuagem e procedimentos estéticos

O período de espera após tatuagem, maquiagem definitiva ou micropigmentação também foi reduzido. Antes, era necessário aguardar seis meses quando o procedimento era realizado em local que atendesse às normas de segurança. Em estabelecimentos sem essa comprovação, o prazo chegava a 12 meses.

Agora, a espera passa a ser de sete dias quando o procedimento é realizado em local que siga as regras de segurança. Caso não seja possível confirmar essas condições, o candidato deverá aguardar quatro meses.

A nova regulamentação também inclui procedimentos estéticos como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento.

Piercing

Para quem utiliza piercing na boca ou na região genital, o prazo após a retirada também diminuiu. Antes, era necessário esperar 12 meses. Com as novas regras, o período passa a ser de quatro meses.

Endoscopia

Procedimentos como endoscopia e colonoscopia também passam a exigir um período menor de espera. O prazo, que era de seis meses, foi reduzido para quatro meses.

Anabolizantes

Quem fez uso de anabolizantes sem prescrição médica precisava esperar seis meses para voltar a doar. A partir da nova regulamentação, o período passa a ser de quatro meses.

Exposição à malária

As regras para pessoas que tiveram contato com áreas de risco de malária também foram alteradas. Com a adoção de um novo teste no sangue doado, quem esteve em municípios considerados de risco ou teve exposição em áreas de mata, bosque ou floresta deverá aguardar 30 dias antes de realizar a doação.

Teste para malária passa a integrar análise do sangue

Uma das principais mudanças está na ampliação dos exames realizados nas bolsas coletadas. O teste NAT Plus, já utilizado para detectar HIV e os vírus das hepatites B e C, também passará a identificar o parasita causador da malária.

De acordo com o Ministério da Saúde, o teste para malária será obrigatório em todas as doações. A medida permite reduzir o tempo de espera em determinadas situações de exposição à doença e amplia a segurança do sangue utilizado em transfusões.

As bolsas e as amostras coletadas também passarão a seguir o padrão internacional de identificação ISBT 128. O sistema permite acompanhar cada bolsa desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos.

Plaquetas poderão ficar armazenadas por até sete dias

Outra alteração aumenta o prazo de armazenamento das plaquetas. O período, que atualmente é de cinco dias, poderá chegar a sete dias, desde que sejam cumpridas as exigências de controle de qualidade.

As plaquetas são utilizadas principalmente em transfusões de pacientes com câncer, pessoas em tratamento de quimioterapia e pacientes com doenças do sangue. O prazo maior de armazenamento pode ajudar a reduzir o descarte e ampliar a disponibilidade do componente para transfusões.

Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3.264.138 coletas de sangue, o equivalente a 15,29 doações para cada mil habitantes. Segundo o Ministério da Saúde, foi a maior taxa registrada desde o período da pandemia.

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